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terça-feira, abril 09, 2019

Leituras

“Quando era mais jovem, viajara por toda a Espanha de automóvel; era assim a vida que o dinheiro do Camarada Lavrov lhe permitira viver. Mas, agora que era velha e já não conseguia conduzir, o seu mundo encolhera. Oh, era verdade que podia viajar de autocarro, mas isso não lhe agradava, todos aqueles proletários suados com as suas sandes de chouriço e crianças a gritar. Charlotte era socialista (comunista, até), mas a sua dedicação à revolução não englobava o transporte público.”
in “A Outra Mulher”, de Daniel Silva

sexta-feira, setembro 07, 2018

Citação

“- Não acredito que acabei de dizer isto - disse Jon - A Ragnhild está morta e eu só penso em salvar a minha própria pele.
Jon tinha lágrimas nos olhos. E num momento de vulnerabilidade, Harry não pode deixar de sentir outra coisa senão compaixão. Não a mesma compaixão que sentia pelas vítimas ou pelos parentes mais próximos destas, mas por aquelas pessoas que, num momento dilacerante, reconhecem a sua própria miserável humanidade”
In O Redentor, de  Jo Nesbo

domingo, julho 29, 2018

Jørn Lier Horst

Comecei a ler no passado dia 7 o primeiro livro de Jørn Lier Horst a ser publicado entre nós “Fechada para o Inverno”, leitura essa entretando finalizada, sendo “engatei” no segundo título publicado, “Cães de Caça”.


Infelizmente, como muito acontece por cá, as editoras optam por pegar numa série a “meio” - “Fechada para o Inverno” é o sétimo livro da série, e “Cães de Caça” o oitavo. 


Na primeira leitura achei as personagens principais relativamente interessantes, mas fiquei com a sensação de ter caído  no meio de algo, o que não me permitiu uma sintonia completa, apesar das notas introdutórias ao livro que a editora acrescentou - e que apesar de tudo acabam por ser bem vindas.


Quanto ao livro propriamente dito, é interessante, achei algumas partes demasiado óbvias (a identidade do informador, a causa da morte dos pássaros). Apenas a revelação final - no fundo a revelação da identidade do perpetrador do crime que “abriu” este livro, conseguiu ser um pouco menos óbvia. 


De qualquer forma, é um livro que se lê bem, a investigação é metódica, e o personagem principal e a sua filha têm algum interesse, e como livro policial acaba por estar bem conseguido sem ser brilhante. 


Fiquei com vontade de continuar a seguir o autor, pelo que tive o privilégio de poder pegar de seguida no livro seguinte da série.


“Cães de Caça”, achei substancialmente melhor do que “Fechada para o Inverno”. Mais dinâmico, um pouco menos previsível. Na linha do livro anterior, mantém-se muitíssimo interessante nos aspectos metodológicos da resolução de um crime. 


Irei começar a ler “O Homem das Cavernas” o mais rapidamente possível, gosto cada vez mais da construção dos personagens Wisting e Line. 


Continuo com imensa pena que ainda não tenham publicado em português os livros do início desta série - espero no entanto que ainda o venham a fazer!!




domingo, junho 03, 2018

Casa de Espiões - Daniel Silva

Talvez porque o ultimo livro que tinha lido de Daniel Silva - e do seu fabuloso protagonista Gabriel Allon - já ter sido em 2015 (O Assalto), o certo é que Casa de Espiões caiu-me que nem ginjas!

Não sei se devido a este hiato entre leituras - e gostando de todos os seus livros sem excepção, a verdade é que este Casa de Espiões pareceu-me um pouco melhor... um livro em que a fórmula de sucesso do autor não terá sido seguida tão à letra talvez (o livro também é um pouquinho mais volumoso que os anteriores, o que nem por isso diminuino ritmo da leitura, diga-se de passagem...)

A verdade é que a quantidade de personagens que já fazem parte destes livros é absolutamente impressionante, apesar de muitos dos nomes familiares já só entrarem numa pequeníssima parte da narrativa - comparativamente a outros títulos anteriores (Insherwood, Chiara, Shamron, Uzi), estas leituras deixam-me sempre com a sensação de voltar a um porto seguro, e é por isso que possuo todos os livros do autor, e deles não me desfaço. São um clássico na estante cá de casa!

Numa outra nota, apesar de em 2017, o gigante MGM ter adquirido os direitos para converter estes livros em série televisiva, a verdade é que não voltou a haver notícias acerca do assunto, o que se por um lado me deixa um pouco triste, por outro lado - pelo menos para já - não deixa de ser um alívio... é que a fasquia definida pelos livros é bastante elevada, e infelizmente como bem se sabe, por vezes as adaptações feitas para o grande ecrã, acabam por ficar um pouco aquém das expectativas...

...se bem que consigo imaginar o Jim Caviezel a fazer as vezes de Gabriel Allon, o que abonaria sempre a favor da série 😂😜




quarta-feira, maio 23, 2018

A Resignação

Vai finalmente chegar às livrarias o derradeiro livro de Luis Miguel Rocha, a obra que o escritor tinha em mãos quando o destino, pela mão dessa maldição que é o cancro, o levou.

Sempre achei que o livro já estaria concluído, e que seria rapidamente publicado pela Porto Editora após a sua morte, em 2015, mas pelos vistos não foi assim, e este trabalho tornou-se uma obra a 6 mãos, já que a obra não estaria completa, e a família do escritor acabou por convidar dois escritores amigos, Porfírio Pereira da Silva e Rui Sequeira, para escreverem o desfecho do romance, com base nas notas do autor, ficando assim explicado o porquê deste “atraso”, que tanto me intrigava.

Um título que lerei muito em breve, com um pouco de pena antecipada, por saber que não seremos brindados com obras futuras do autor, pois gostei bastante dos seus livros anteriores...




terça-feira, maio 01, 2018

O Morcego - Jo Nesbo

Não pude deixar de me sentir um pouco desiludida com a minha primeira leitura de Jo Nesbo, este O Morcego, primeiro livro da série Harry Hole.

Como nunca tinha lido nada do autor, apesar de este não ter sido o primeiro livro da série a ser publicado em Portugal - como infelizmente vai acontecendo tantas vezes, resolvi começar a leitura por ordem cronológica.

Vim depois a saber que é mais ou menos de consenso geral que este não é um dos melhores livros da série, mas ainda assim fiquei, como já disse um pouco decepcionada. Estava à espera de um livro que me agarrasse à primeira, à imagem dos da dupla Lars Kepler, ou Hjorth & Rosenfeldt, que me deixaram rendida de imediato.

Já tinha visto - e gostado bastante d’ - o filme “O Boneco de Neve” baseado no livro homónimo de Jo Nesbo, também com Harry Hole como protagonista, mas esse é apenas o 7º livro da série, e como pretendo ler por ordem, ainda me faltam uns meses até lá chegar... talvez também por isso tenha achado que “O Morcego” me agradaria mais.

Resta-me continuar a ler a saga, e torcer para ficar mais fã à medida que for lendo! :)




domingo, abril 22, 2018

Leituras soltas

...por vezes encontro-me nas minhas leituras, perante frases que me tocam e me deixam a pensar...

Esta é de o “Conclave” de Robert Harris, que tenho de momento em mãos.



quarta-feira, abril 11, 2018

A Mulher do Camarote 10 (leitura)



Acabada a leitura de “A Mulher do Camarote 10”, é altura de um minúsculo balanço.

Apesar de ter começado esta leitura num ritmo lento, por não haver nada na história que me prendesse verdadeiramente, a verdade é que a partir da página 145, o ritmo mudou, e não voltei - literalmente - a pousar o livro.

O balanço passou de um livro médio, para um livro bom, dentro do estilo.

O que mais me irritou? A capa do livro. Acredito que na ausência de um briefing em condições, deveria ser obrigatório para o criativo ler - pelo menos na diagonal - a obra que se propões espelhar na capa de uma publicação.

A verdade é que o cruzeiro onde se passa a narrativa, é um pequeno cruzeiro de luxo, com apenas 10 camarotes para convidados. Muito diferente do que vemos na capa do livro, que na verdade cria expectativas que não se verificam, e que me fez *mesmo* sentir enganada.

Nota 4 para Ruth Ware, pela sua história.

Nota 1 para António Pinto e para a Oficina do Livro, por uma capa que retratou o óbvio apenas a partir de um titulo, quando a narrativa não vai de encontro ao ilustrado. *BUUUU*

sábado, setembro 10, 2016

Leituras de férias

...em 19 dias li os 5 livros da dupla Lars Kepler - uma das sensações dos policiais nórdicos - sendo que o penultimo (O Homem de Areia) li em apenas 2 dias, e o ultimo (Stalker) em 3, o que mais dizer?? Fiquei completamente rendida, e fico ansiosa pelo 6º livro da série Joona Linna - que na Suécia será lançado a 24 de Outubro, e fico a fazer figas para que não demore muito a chegar cá a versão portuguesa!!!

sábado, junho 11, 2016

Por vezes acontece...

Por vezes acontece arrepiar-me com uma boa descrição, num livro que esteja a ler... Quando sei que de alguma forma foi real, toca-me ainda mais profundamente.

E por vezes acontece em livros de autores que até escrevem com alguma ligeireza, passo a expressão, e utilizam o humor frequentemente. O que me deixa também agradavelmente surpreendida.

Foi o caso do seguinte excerto, retirado do "Fogo Mortal" de Nelson Demille:

"Durante meses, depois do 11 de Setembro, assisti a velórios, funerais, missas e cerimónias memoriais, de dia e de noite, por vezes três no mesmo dia. Toda a gente que eu conhecia tinha a mesma agenda insana e atordoante. À medida que as semanas iam passando, cruzava-me com as mesmas pessoas nas casas funerárias, nas igrejas, nas sinagogas e nos cemitérios. E todos olhávamos simplesmente uns para os outros com uns olhos sem expressão. O choque e o trauma estavam frescos, mas os funerais começavam a fundir-se uns nos outros e a única diferença era a família enlutada, que nunca era igual à anterior, e a seguir os viúvos e os filhos apareciam no funeral de outro polícia qualquer para prestar as suas homenagens, tornando-se parte era multidão dos pesarosos. Tinha sido uma época angustiante e surreal, meses negros com caixões negros e mortalhas negras, e fumos negros sobre os dis- tintivos brilhantes, e manhãs negras depois de uma noite a beber demasiado. Ainda me lembro do som das gaitas de foles, da saudação final e do caixão... na maioria das vezes contendo apenas um bocado do corpo a ser baixado para a sepultura."

Sim... acontecem imensas atrocidades demasiado frequentemente, de tal forma que acabamos por ficar um pouco "imunes", e com a falsa sensação de segurança que nos traz o facto de não ter sido perto de nós... (...longe da vista...), mas por alguma razão o 11 de Setembro continua a tocar num ponto sensivel cá dentro.

quarta-feira, agosto 29, 2012

Livros...

Prestes a começar o 3º livro em 2 semanas.... Adoro FÉRIAS!! Há tempo para tudo :)

quarta-feira, maio 23, 2012

Não deu para resistir...

...a comprar na Fnac online o livro "O Código Maia" de Mario Reading, por apenas €14,31 sem pagar portes, e com oferta do "As Profecias de Nostradamus" do mesmo autor ^_^

segunda-feira, março 05, 2012

O Caso Rembrandt - Daniel Silva

Fico inequivocamente com pena sempre que acabo uma leitura de Daniel Silva. Apesar de a fórmula dos seus livros ser muito familiar, é um estilo que me arrebata completamente, e com o qual me identifico.

Deliciam-me particularmente as passagens que focam os restauros das obras de arte, o modo como estas se entrelaçam no romance, os treinos de "espionagem para tótós" que parecem estar sempre presentes, toda magia que Daniel Silve consegue passar para o lado de cá.

Este Caso Rembrandt não foi excepção à regra, e deixa como sempre o apetite aberto para o livro que se segue, a publicar não se sabe quando em Portugal.

Estou cada vez mais tentada em adquirir alguns ebooks para ler no ipad, de forma a deixar para trás esta dependência das editoras portuguesas, que são cada vez mais lentas e erráticas nas suas publicações.

terça-feira, fevereiro 14, 2012

Viciante...

Tão viciante que até chateia ter que trabalhar, em vez de estar enroscada num sofá a lê-lo!

Que mestria! Sem dúvida nenhuma um dos meus escritores preferidos.

Ainda nem a meio da leitura cheguei, mas já antecipo com pena o dia em que o livro chegar à última página.




domingo, setembro 04, 2011

Bater no ceguinho

Volta e meia lá volto a este assunto aqui no estaminé: as editoras e a publicação não sequencial dos livros de tantos autores.

Infelizmente Brad Thor, consta também na lista desses autores, desta vez pela mão da Bertrand, que ao invés de começar a publicar a série "Scot Harvarth" desde o início, começou nada mais, nada menos pelo 6º livro da série, seguidos do 7º e do 8º (nomeadamente Primeiro Mandamento, O Último Patriota, O Apóstolo)

Pelo caminho, esperemos que apenas por agora, ficaram os primeiros volumes:
1. The Lions Of Lucerne (2001)
2. Path of the Assassin (2003)
3. State of the Union (2004)
4. Blowback (2005)
5. Takedown (2006)

Posteriores ao último O Patriota que a Bertrand publicou recentemente, estão ainda:
9. Foreign Influence (2010)
10. Full Black (2011)

...talvez até ao natal ainda sejamos brindados com algumas destas traduções, por parte da aditora? Fico a torcer para que sim. É que Brad Thor está já entre os meus autores preferidos!

Livros

Fazer anos trás sempre a perspectiva de novas leituras... Um MUITO OBRIGADA ao papi e à primocas, por serem clientes assíduos da minha wishlist por esta altura.

Este ano a colheita "rendeu" o Falsas Impressões (Jeffrey Archer) e Boas Noticias, Más noticias (David Wolstencroft).

Mal acabe de ler o ciclo "Brad Thor" que retomei com o seu primeiro livro Primeiro Mandamento, e que pretendo concluir com o mais recente O Apóstolo, irei devorar estes novos livros adicionados à minha biblioteca!

Entretanto acabei de ler Pacífico de Clive Cussler, que como sempre, não desapontou! Se ler muitos livros deste autor de seguida, pode ser um pouco repetitivo, lê-los amiúde intercalados com outros autores é muitíssimo refrescante!

domingo, junho 12, 2011

Feira do Livro 2011









No feriado aceitei o desafio dos meus pais, e depois do almoço peguei na fofas, e fomos, com eles e com a Lola, à Feira do Livro.

Estivemos lá umas 3 horas, e para desgosto nosso não vimos nem uma única mascote infantil (era suposto haver ao feriado e ao fim de semana... devem ter-se esquecido *humpffff*).

A fofas ainda teve tempo de fazer 2 desenhos no espaço do grupo Porto Editora, e eu pude ver as bancas à vontade, porque os avós e a tia-avó olharam (e muito bem) por ela...

Como sempre apanhei muitas desilusões com alguns "descontos" que de "descontos" não tinham nada... por isso mesmo, não comprei o último livro do Clive Cussler. Ficará para outra altura (em 17 Euros, tinha um desconto de 1 Euro... sovinas!).

Preferi voltar a minha atenção para os livros de bolso, que ao menos tinham um desconto de 20% na sua maioria (os de 10 Euros custavam 8... é dinheiro ^_^), e mais, ainda usufrui de um desconto imediato de 5 Euros, por ter compras de valor superior a 30 Euros. E ainda vim com 2 vales de desconto de 5 Euros cada um, a gastar em determinadas Bertrands, em compras superiores a 25 Euros. Pena não se aplicar à Bertrand online, que eu para levantar o traseiro do sofá sou sempre uma tristeza...

A oferta dos novos livros de bolso já é bastante razoável, e o preço em relação à edição normal também é convidativo (regra geral). Vai daí escolhi uns títulos que já tinha em vista há algum tempo, os meus pais ofereceram-me "O Falsificador de Da Vinci", e ainda me aventurei a trazer 2 livros de Mary Higgins Clark, que tão conceituada é, e que até agora nunca li. Vai ser desta!

Curiosamente o livro que ía à feira comprar de propósito... não estava na feira, que era "O Primeiro Mandamento" de Brad Thor. Segundo quem me atendeu, não figurava entre os livros seleccionados a levar para o evento. Ora bolas.

Ainda assim, e passadas as tais 3 horas, a carteira veio um pouco mais leve, mas viemos todos satisfeitos... e a piolha também (que ganhou livros da Lola, dos avós, e dos pais - apesar de o pai não ter podido ir...)!

sábado, abril 16, 2011

Leituras

...as "reviews" do que tenho vindo a ler continuam por fazer, mas continuo a avançar nas minhas leituras.

Há 2 semanas, numa das minhas idas ao hipermercado, descobri com muita satisfação que um novo livro de Daniel Silva tinha sido lançado: "A Marcha".

Comprei i-m-e-d-i-a-t-a-m-e-n-t-e.

Sou tão fã, mas tão fã dos livros dele, que nem sequer leio as sinopses.

...e tenho estado afastada dos novos lançamentos etc, pelo que nem sequer sabia se o protagonista deste livro era o Gabriel.

Não é.

Este livro é uma espécie de continuação d' "A Marca do Assassino". O protagonista é o agora "reformado" da CIA, Michael Osbourne.

Estou quase a meio e só vos posso dizer que, claro, estou a adorar!

sábado, março 26, 2011

Livros e Citação

Ando mais do que atrasada nas opiniões sobre os livros que vou lendo... tenho que tentar mudar de tática - talvez fazer gravações das minhas impressões acerca do que vou lendo, para depois não me perder?

Por agora, e para não me perder (mais uma vez, e mais ainda), deixo aqui uma citação do livro que estou a ler neste momento (Juízo Final de Sam Bourne) - e que estou a adorar:

"Podem perguntar se eu, quando finalmente compreendi (qual seria o objectivo de tudo isto), alguma vez questionei o que iria fazer. Mas aquilo que ninguém pode perceber, a menos que tenham visto o que nós vimos, é o quão profundo o nosso ódio se tornara. Era maior do que qualquer um de nós; podíamos nadar e afundar-nos nele e sabíamos que perduraria para além da nossa própria existência.

Quem odiávamos nós? Odiávamos as pessoas que eram capazes de pegar num bébé a chorar, pelos tornozelos, e esmagar-lhe o crânio inocente contra uma parede de tijolos. Odiávamos as pessoas que eram capazes de reunir seres humanos e amontoá-los em ruas medievais e fétidas e matá-las à fome para que os seus corpos fossem comidos por cães vadios. Odiávamos as pessoas que nos disseram que iríamos ser realojados no leste, enfiando-nos em comboios, em vagões para gado, e depois separando-nos - para a direita e para a esquerda - assumindo o papel de anjos da morte, decidindo no cais, junto a um comboio acabado de chegar e ainda fumegante, quem deveria viver e quem deveria morrer. Odiávamos as pessoas que nos espancavam, chicoteavam e empurravam, às nossas crianças e aos nossos velhos, para o interior de cabines de chuveiro em cimento, dizendo que nos íam "desparasitar", porque estávamos infestados como animais cheios de pulgas - continuando a mentir até ao final de tudo - e observando-nos enquanto esperávamos pela água que nos lavaria e que nunca chegava, observando através de um olho-de-boi enquanto o gás lançado por uma lata de Zyklon B penetrava no local, com os homens, mulheres e crianças no seu interior a trepar uns por cima dos outros para chegarem ao que, no seu desespero, pensaram poder ser uma abertura no tecto ou no cimo de uma parede, a uma fonte de ar não envenenado e respirável. Odiávamos as pessoas que arrancavam os anéis dos nossos dedos e o ouro dos nossos dentes, que os derretiam pelo dinheiro que poderiam obter a partir deles. Odiávamos as pessoas que arrancavam as roupas dos corpos dos nossos mortos, enviando-as para casa para serem usadas pelas suas mulheres, filhos e filhas. Odiávamos as pessoas que, após terem extraído a riqueza da nossa própria carne, nos atiravam para dentro das incineradoras, nos sufocavam com a cinza que ascendia e caía como neve cobrindo tudo num raio de kilómetros. Odiávamo-los pelo seu plano de nos erradicarem da face da Terra, para destruir as nossas pedras tumulares e rasgarem os ventres das nossas mulheres para que aquela geração fosse a última. Odiávamo-los pelo insaciável ódio que nos tinham.

Quando um homem arde com uma ira tão incandescente como esta, ainda mais inflamada pela certeza de que o resto do mundo está preparado para seguir em frente com um encolher de ombros - fica disposto a fazer quase tudo. Para saciar esta raiva fica disposto a qualquer coisa. Tal como eu estava disposto."


sexta-feira, outubro 22, 2010

O Desertor, de Daniel Silva

Pura e simplesmente F-A-B-U-L-O-S-O!!

Não me perguntem como é possível, mas o facto é que parece que cada livro da saga Daniel Allon é melhor do que o anterior. Fico cada vez mais fã, e mal posso esperar pelo "The Rembrandt Affair".

Quanto ao livro que acabei de ler, ele tem MUITÍSSIMO a ver com o que foi publicado imediatamente antes (As Regras de Moscovo), pelo que acho que não o devem ler sem terem lido esse primeiro.

Tudo começa com o desaparecimento de um desertor Russo em solo Inglês, orquestrado de forma a que parecesse que ele tinha deixado o país de livre e espontânea vontade. Mas Gabriel sabe que o que parece não é, e encontrando provas disso mesmo, propõe-se a resgatar o Russo que já lhe havia salvo a vida um par de vezes, e a quem fez outrora uma promessa.

A parte pior é quando no decorrer dessa mesma operação a sua própria mulher é raptada, e Gabriel vê-se confrontado de novo com o medo de perder quem mais ama, a diferença é que, desta vez ele terá uma palavra a dizer acerca disso.

Daniel Silva brinda-nos mais uma vez com um romance de espionagem simplesmente soberbo! Os seus personagens são muito sólidos e cheios de carácter, enfim, parecem verdadeiras pessoas, e o enredo é sempre muitíssimo bem engendrado!