in “A Outra Mulher”, de Daniel Silva
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terça-feira, abril 09, 2019
Leituras
“Quando era mais jovem, viajara por toda a Espanha de automóvel; era assim a vida que o dinheiro do Camarada Lavrov lhe permitira viver. Mas, agora que era velha e já não conseguia conduzir, o seu mundo encolhera. Oh, era verdade que podia viajar de autocarro, mas isso não lhe agradava, todos aqueles proletários suados com as suas sandes de chouriço e crianças a gritar. Charlotte era socialista (comunista, até), mas a sua dedicação à revolução não englobava o transporte público.”
sexta-feira, setembro 07, 2018
Citação
“- Não acredito que acabei de dizer isto - disse Jon - A Ragnhild está morta e eu só penso em salvar a minha própria pele.
Jon tinha lágrimas nos olhos. E num momento de vulnerabilidade, Harry não pode deixar de sentir outra coisa senão compaixão. Não a mesma compaixão que sentia pelas vítimas ou pelos parentes mais próximos destas, mas por aquelas pessoas que, num momento dilacerante, reconhecem a sua própria miserável humanidade”
In O Redentor, de Jo Nesbo
sábado, março 26, 2011
Livros e Citação
Ando mais do que atrasada nas opiniões sobre os livros que vou lendo... tenho que tentar mudar de tática - talvez fazer gravações das minhas impressões acerca do que vou lendo, para depois não me perder?
Por agora, e para não me perder (mais uma vez, e mais ainda), deixo aqui uma citação do livro que estou a ler neste momento (Juízo Final de Sam Bourne) - e que estou a adorar:
"Podem perguntar se eu, quando finalmente compreendi (qual seria o objectivo de tudo isto), alguma vez questionei o que iria fazer. Mas aquilo que ninguém pode perceber, a menos que tenham visto o que nós vimos, é o quão profundo o nosso ódio se tornara. Era maior do que qualquer um de nós; podíamos nadar e afundar-nos nele e sabíamos que perduraria para além da nossa própria existência.
Quem odiávamos nós? Odiávamos as pessoas que eram capazes de pegar num bébé a chorar, pelos tornozelos, e esmagar-lhe o crânio inocente contra uma parede de tijolos. Odiávamos as pessoas que eram capazes de reunir seres humanos e amontoá-los em ruas medievais e fétidas e matá-las à fome para que os seus corpos fossem comidos por cães vadios. Odiávamos as pessoas que nos disseram que iríamos ser realojados no leste, enfiando-nos em comboios, em vagões para gado, e depois separando-nos - para a direita e para a esquerda - assumindo o papel de anjos da morte, decidindo no cais, junto a um comboio acabado de chegar e ainda fumegante, quem deveria viver e quem deveria morrer. Odiávamos as pessoas que nos espancavam, chicoteavam e empurravam, às nossas crianças e aos nossos velhos, para o interior de cabines de chuveiro em cimento, dizendo que nos íam "desparasitar", porque estávamos infestados como animais cheios de pulgas - continuando a mentir até ao final de tudo - e observando-nos enquanto esperávamos pela água que nos lavaria e que nunca chegava, observando através de um olho-de-boi enquanto o gás lançado por uma lata de Zyklon B penetrava no local, com os homens, mulheres e crianças no seu interior a trepar uns por cima dos outros para chegarem ao que, no seu desespero, pensaram poder ser uma abertura no tecto ou no cimo de uma parede, a uma fonte de ar não envenenado e respirável. Odiávamos as pessoas que arrancavam os anéis dos nossos dedos e o ouro dos nossos dentes, que os derretiam pelo dinheiro que poderiam obter a partir deles. Odiávamos as pessoas que arrancavam as roupas dos corpos dos nossos mortos, enviando-as para casa para serem usadas pelas suas mulheres, filhos e filhas. Odiávamos as pessoas que, após terem extraído a riqueza da nossa própria carne, nos atiravam para dentro das incineradoras, nos sufocavam com a cinza que ascendia e caía como neve cobrindo tudo num raio de kilómetros. Odiávamo-los pelo seu plano de nos erradicarem da face da Terra, para destruir as nossas pedras tumulares e rasgarem os ventres das nossas mulheres para que aquela geração fosse a última. Odiávamo-los pelo insaciável ódio que nos tinham.
Quando um homem arde com uma ira tão incandescente como esta, ainda mais inflamada pela certeza de que o resto do mundo está preparado para seguir em frente com um encolher de ombros - fica disposto a fazer quase tudo. Para saciar esta raiva fica disposto a qualquer coisa. Tal como eu estava disposto."
Por agora, e para não me perder (mais uma vez, e mais ainda), deixo aqui uma citação do livro que estou a ler neste momento (Juízo Final de Sam Bourne) - e que estou a adorar:
"Podem perguntar se eu, quando finalmente compreendi (qual seria o objectivo de tudo isto), alguma vez questionei o que iria fazer. Mas aquilo que ninguém pode perceber, a menos que tenham visto o que nós vimos, é o quão profundo o nosso ódio se tornara. Era maior do que qualquer um de nós; podíamos nadar e afundar-nos nele e sabíamos que perduraria para além da nossa própria existência.
Quem odiávamos nós? Odiávamos as pessoas que eram capazes de pegar num bébé a chorar, pelos tornozelos, e esmagar-lhe o crânio inocente contra uma parede de tijolos. Odiávamos as pessoas que eram capazes de reunir seres humanos e amontoá-los em ruas medievais e fétidas e matá-las à fome para que os seus corpos fossem comidos por cães vadios. Odiávamos as pessoas que nos disseram que iríamos ser realojados no leste, enfiando-nos em comboios, em vagões para gado, e depois separando-nos - para a direita e para a esquerda - assumindo o papel de anjos da morte, decidindo no cais, junto a um comboio acabado de chegar e ainda fumegante, quem deveria viver e quem deveria morrer. Odiávamos as pessoas que nos espancavam, chicoteavam e empurravam, às nossas crianças e aos nossos velhos, para o interior de cabines de chuveiro em cimento, dizendo que nos íam "desparasitar", porque estávamos infestados como animais cheios de pulgas - continuando a mentir até ao final de tudo - e observando-nos enquanto esperávamos pela água que nos lavaria e que nunca chegava, observando através de um olho-de-boi enquanto o gás lançado por uma lata de Zyklon B penetrava no local, com os homens, mulheres e crianças no seu interior a trepar uns por cima dos outros para chegarem ao que, no seu desespero, pensaram poder ser uma abertura no tecto ou no cimo de uma parede, a uma fonte de ar não envenenado e respirável. Odiávamos as pessoas que arrancavam os anéis dos nossos dedos e o ouro dos nossos dentes, que os derretiam pelo dinheiro que poderiam obter a partir deles. Odiávamos as pessoas que arrancavam as roupas dos corpos dos nossos mortos, enviando-as para casa para serem usadas pelas suas mulheres, filhos e filhas. Odiávamos as pessoas que, após terem extraído a riqueza da nossa própria carne, nos atiravam para dentro das incineradoras, nos sufocavam com a cinza que ascendia e caía como neve cobrindo tudo num raio de kilómetros. Odiávamo-los pelo seu plano de nos erradicarem da face da Terra, para destruir as nossas pedras tumulares e rasgarem os ventres das nossas mulheres para que aquela geração fosse a última. Odiávamo-los pelo insaciável ódio que nos tinham.
Quando um homem arde com uma ira tão incandescente como esta, ainda mais inflamada pela certeza de que o resto do mundo está preparado para seguir em frente com um encolher de ombros - fica disposto a fazer quase tudo. Para saciar esta raiva fica disposto a qualquer coisa. Tal como eu estava disposto."
sexta-feira, julho 31, 2009
Com sua licença
Deixo aqui um pequenino texto que amei, encontrado no blog de uma Flickr-friend. É de autoria de Ferreira Gullar, e o título é "Mau Despertar":
"Saio do sono como
de uma batalha
travada em
lugar algum
Não sei na madrugada
se estou ferido
se o corpo
tenho
riscado
de hematomas
Zonzo lavo
na pia
os olhos donde
ainda escorre
uns restos de treva."
Não posso deixar de pensar se a Mafalda acorda com o mau humor do costume, por travar muitas batalhas durante o seu sono =)
"Saio do sono como
de uma batalha
travada em
lugar algum
Não sei na madrugada
se estou ferido
se o corpo
tenho
riscado
de hematomas
Zonzo lavo
na pia
os olhos donde
ainda escorre
uns restos de treva."
Não posso deixar de pensar se a Mafalda acorda com o mau humor do costume, por travar muitas batalhas durante o seu sono =)
quinta-feira, julho 02, 2009
Citação
"Gabriel mantinha-se inclinado sobre o volante quilómetro após quilómetro, à medida que iam passando por uma série de povoações cobertas de neve. Os seus nomes estavam repletos de estranhas combinações de consoantes, que até mesmo Gabriel, cuja língua nativa era o alemão, considerava impenetráveis. O dinamarquês não é uma língua, pensou amargamente enquanto cruzava a obscuridade. O dinamarquês é só um problema de garganta."
in O Criado Secreto, de Daniel Silva
sexta-feira, maio 08, 2009
Citações
"- Tenho setenta e dois anos. Não tenho tempo para esperar que os mandarins da Cúria considerem ou preparem o assunto. Receio que seja desse modo que as coisas são enterradas e esquecidas. Eu e o rabino já falámos. Vou ao ghetto na próxima semana, com ou sem o apoio da Cúria...ou até do meu secretário de Estado. A verdade, Eminência, libertar-nos-à.
- E você, o papa de rua do Veneto, pretende conhecer a verdade.
- Só Deus conhece a verdade, Marco, mas Tomás de Aquino escreveu a respeito de uma ignorância cultivada, uma ignoratia affectata. Uma falta de conhecimento voluntária designada para nos proteger do mal. É tempo de nos livrarmos da nossa ignoratia affectata. O Nosso Salvador disse que era a luz do mundo, mas aqui no Vaticano, vivemos na escuridão. Tenciono acender as luzes."
...............
"Durante os dezoito meses que se seguiram, a equipa de Shamron assassinou uma dúzia de membros do Setembro Negro. Pessoalmente, Gabriel matou seis destes. Quando tudo terminou, Benjamin regressou à sua carreira académica. Gabriel tentou voltar para Betsal'el e fazer o mesmo, mas a sua capacidade para pintar fora escorraçada pelos fantasmas dos homens que ele matara, e assim ele deixara Leah em Israel e mudara-se para Veneza para estudar restauração com Umberto Conti. Com os restauros, encontrara a cura. Conti, que nada sabia do passado de Gabriel, parecia compreender isso. A altas horas da noite, ía ao quarto de Gabriel, numa pensão decrépita e arrastava-o para as ruas de Veneza para verem arte. Uma noite, perante o enorme altar-mor de Ticiano na igreja dos Frari, Umberto agarrou Gabriel pelo braço.
- Um homem satisfeito consigo mesmo pode ser um restaurador mediano, mas não pode ser um grande restaurador. Só um homem com uma tela danificada que seja sua é, de facto, um grande restaurador. É um tema sobre o qual podes meditar. Um ritual. Um dia serás um grande restaurador. Melhor que eu. Tenho a certeza.
E embora Conti não o soubesse, Shamron dissera a Gabriel aquelas mesmas palavras, durante a noite antes de ele ter sido enviado a Roma para matar o seu primeiro palestiniano."
............................
" O velho parecia preocupado com a mão direita do doente, o que o pessoal de enfermagem achava estranho, já que os seus outros ferimentos eram muito mais graves. Foi chamado um radiologista. Foram tiradas radiografias. Um especialista ortopédico concluiu que a mão saíra do acidente extraordináriamente intacta, embora ele tivesse reparado numa cicatriz profunda entre o polegar e o indicador, um ferimento recente que nunca cicatrizara adequadamente."
in O Confessor de Gabriel Silva
- E você, o papa de rua do Veneto, pretende conhecer a verdade.
- Só Deus conhece a verdade, Marco, mas Tomás de Aquino escreveu a respeito de uma ignorância cultivada, uma ignoratia affectata. Uma falta de conhecimento voluntária designada para nos proteger do mal. É tempo de nos livrarmos da nossa ignoratia affectata. O Nosso Salvador disse que era a luz do mundo, mas aqui no Vaticano, vivemos na escuridão. Tenciono acender as luzes."
...............
"Durante os dezoito meses que se seguiram, a equipa de Shamron assassinou uma dúzia de membros do Setembro Negro. Pessoalmente, Gabriel matou seis destes. Quando tudo terminou, Benjamin regressou à sua carreira académica. Gabriel tentou voltar para Betsal'el e fazer o mesmo, mas a sua capacidade para pintar fora escorraçada pelos fantasmas dos homens que ele matara, e assim ele deixara Leah em Israel e mudara-se para Veneza para estudar restauração com Umberto Conti. Com os restauros, encontrara a cura. Conti, que nada sabia do passado de Gabriel, parecia compreender isso. A altas horas da noite, ía ao quarto de Gabriel, numa pensão decrépita e arrastava-o para as ruas de Veneza para verem arte. Uma noite, perante o enorme altar-mor de Ticiano na igreja dos Frari, Umberto agarrou Gabriel pelo braço.
- Um homem satisfeito consigo mesmo pode ser um restaurador mediano, mas não pode ser um grande restaurador. Só um homem com uma tela danificada que seja sua é, de facto, um grande restaurador. É um tema sobre o qual podes meditar. Um ritual. Um dia serás um grande restaurador. Melhor que eu. Tenho a certeza.
E embora Conti não o soubesse, Shamron dissera a Gabriel aquelas mesmas palavras, durante a noite antes de ele ter sido enviado a Roma para matar o seu primeiro palestiniano."
............................
" O velho parecia preocupado com a mão direita do doente, o que o pessoal de enfermagem achava estranho, já que os seus outros ferimentos eram muito mais graves. Foi chamado um radiologista. Foram tiradas radiografias. Um especialista ortopédico concluiu que a mão saíra do acidente extraordináriamente intacta, embora ele tivesse reparado numa cicatriz profunda entre o polegar e o indicador, um ferimento recente que nunca cicatrizara adequadamente."
in O Confessor de Gabriel Silva
terça-feira, abril 07, 2009
Citação
"Se Gabriel Allon não se tivesse tornado num assassino, teria dado um interrogador perfeito. Para ele, ouvir era algo natural: era um homem que só falava quando era necessário; um homem que não tinha a necessidade de ouvir o som da própria voz. Como um caçador de veados, também tinha sido presenteado com uma capacidade fora do normal para se manter imóvel. Nunca tocava no cabelo ou na cara, nunca gesticulava com as mãos ou se mexia na cadeira. Era essa mesma capacidade, aliada ao silêncio e à imutável paciência, que fazia dele um adversário temível para se ter do outro lado de uma mesa despida."
in O Assassino Inglês
Citação
"Gabriel sabia demasiado sobre terrorismo e segurança para gostar de viajar de avião, por isso foi de metro até à estação de Waterloo e apanhou um comboio Eurostar para Paris, ao final da tarde. Na Gare de l'Est, entrou num comboio nocturno em direcção a Zurique e, por volta das nove da manhã seguinte, já se passeava pela extensão ligeiramente flectida de Bahnofstrasse.
Como Zurique esconde tão graciosamente as suas riquezas, pensou. Muito do ouro e da prata do mundo encontrava-se nas caixas-fortes dos bancos por baixo dos pés dele, mas não havia torres de escritórios hediondas a assinalar as fronteiras do sector financeiro nem monumentos à acumulação de lucros. Apenas a subtileza, discrição e engano. Uma mulher desprezada que desvia o olhar para esconder a vergonha. A Suiça."
Como Zurique esconde tão graciosamente as suas riquezas, pensou. Muito do ouro e da prata do mundo encontrava-se nas caixas-fortes dos bancos por baixo dos pés dele, mas não havia torres de escritórios hediondas a assinalar as fronteiras do sector financeiro nem monumentos à acumulação de lucros. Apenas a subtileza, discrição e engano. Uma mulher desprezada que desvia o olhar para esconder a vergonha. A Suiça."
in O Assassino Inglês
sexta-feira, março 06, 2009
Citação
"Um único latido ecoou-lhes aos ouvidos.
Gray incentivou-os a correrem mais depressa.
A bata de Elizabeth esvoaçava atrás dela. A chama do isqueiro ía queimado as teias de aranhas enquanto prosseguiam por outro corredor.
- Para onde vamos? - Perguntou Kowalski.
- Em frente - respondeu Gray.
- É esse o grande plano? Em frente?
Um ladrar furioso irrompeu subitamente. Ouviram-se gritos. O seu rasto fora encontrado.
- Esqueçam o que eu disse - corrigiu Kowalski. - Em frente parece-me ser uma boa ideia.
Todos juntos, fugiram por entre o emaranhado de túneis."
Gray incentivou-os a correrem mais depressa.
A bata de Elizabeth esvoaçava atrás dela. A chama do isqueiro ía queimado as teias de aranhas enquanto prosseguiam por outro corredor.
- Para onde vamos? - Perguntou Kowalski.
- Em frente - respondeu Gray.
- É esse o grande plano? Em frente?
Um ladrar furioso irrompeu subitamente. Ouviram-se gritos. O seu rasto fora encontrado.
- Esqueçam o que eu disse - corrigiu Kowalski. - Em frente parece-me ser uma boa ideia.
Todos juntos, fugiram por entre o emaranhado de túneis."
in "O Ultimo Oráculo", de James Rollins
sexta-feira, fevereiro 27, 2009
Citação
"- Mas como? Como é que conseguiste saber? Ambos me pareciam Veermers genuínos.
Zoe confirmou com um aceno de cabeça.
- Não consigo explicar bem como é que faço - respondeu. - Olho para uma peça e ela... toca-me, e a partir daí, quase instantaneamente, descubro se é ou não uma falsificação.
- Toca-te?
Zoe hesitou.
- Seth é a única pessoa que sabe disto - continuou, ainda hesitante. Thalia olhava para ela, na expectativa. - Devo-te a minha vida - disse Zoe finalmente - Eu... nós temos passado estes tempos como irmãs. Posso confiar-te um segredo?
Thalia dirigiu-lhe um sinal afirmativo.
- Quando olho para as telas e para as cores, escuto sons - principiou Zoe devagar.
Thalia franziu a testa, como se não percebesse bem o que Zoe lhe dizia.
Esta acenou-lhe com a cabeça. - O vermelho é como se fosse um violoncelo; o amarelo é como um flautim.
Thalia tinha o rosto repleto de assombro.
- Sempre escutei as cores - prossegiu Zoe. - Desde que me lembro. Pensava que todos eram iguais a mim. E quanto mais crescia, mais os meus pais ficavam preocupados. A minha mãe julgava que eu estava possuída pelo demónio e em cada Domingo pedia na igreja que rezassem por mim.
- O meu pai, por outro lado, levou-me à socapa a um psiquiatra que realmente não tínhamos posses para pagar - o que deu origem a uma discussão que durou quase cinco anos. Mas o psiquiatra descobriu imediatamente que eu tinha sinestesia.
Thalia fez uma preocupação preocupada.
- Fiquei tão aliviada ao saber que não era maluca.
- Uhm-uhm - preferiu Thalia, com ar incrédulo.
- Sinestesia é um entrecruzamento inofensivo no sistema nervoso central - como as linhas cruzadas na rede telefónica - que provoca a mistura dos sentidos. Alguns sinestésicos têm gostos de acordo com as formas do que levam à boca, outros sentem cheiros nas cores. As drogas psicadélicas como o LSD e o peiote induzem ao mesmo tipo de experiência, mas cerca de 25.000 pessoas com este sintoma consideram isto natural, provavelmente porque os nossos cérebros estabeleceram ligações diferentes ainda antes de nascermos. A maior parte dos sinestésicos são canhotos - tal como eu - e a manifestação mais comum é a obtenção de cores através de sons, que é o oposto do que eu sinto."
Zoe confirmou com um aceno de cabeça.
- Não consigo explicar bem como é que faço - respondeu. - Olho para uma peça e ela... toca-me, e a partir daí, quase instantaneamente, descubro se é ou não uma falsificação.
- Toca-te?
Zoe hesitou.
- Seth é a única pessoa que sabe disto - continuou, ainda hesitante. Thalia olhava para ela, na expectativa. - Devo-te a minha vida - disse Zoe finalmente - Eu... nós temos passado estes tempos como irmãs. Posso confiar-te um segredo?
Thalia dirigiu-lhe um sinal afirmativo.
- Quando olho para as telas e para as cores, escuto sons - principiou Zoe devagar.
Thalia franziu a testa, como se não percebesse bem o que Zoe lhe dizia.
Esta acenou-lhe com a cabeça. - O vermelho é como se fosse um violoncelo; o amarelo é como um flautim.
Thalia tinha o rosto repleto de assombro.
- Sempre escutei as cores - prossegiu Zoe. - Desde que me lembro. Pensava que todos eram iguais a mim. E quanto mais crescia, mais os meus pais ficavam preocupados. A minha mãe julgava que eu estava possuída pelo demónio e em cada Domingo pedia na igreja que rezassem por mim.
- O meu pai, por outro lado, levou-me à socapa a um psiquiatra que realmente não tínhamos posses para pagar - o que deu origem a uma discussão que durou quase cinco anos. Mas o psiquiatra descobriu imediatamente que eu tinha sinestesia.
Thalia fez uma preocupação preocupada.
- Fiquei tão aliviada ao saber que não era maluca.
- Uhm-uhm - preferiu Thalia, com ar incrédulo.
- Sinestesia é um entrecruzamento inofensivo no sistema nervoso central - como as linhas cruzadas na rede telefónica - que provoca a mistura dos sentidos. Alguns sinestésicos têm gostos de acordo com as formas do que levam à boca, outros sentem cheiros nas cores. As drogas psicadélicas como o LSD e o peiote induzem ao mesmo tipo de experiência, mas cerca de 25.000 pessoas com este sintoma consideram isto natural, provavelmente porque os nossos cérebros estabeleceram ligações diferentes ainda antes de nascermos. A maior parte dos sinestésicos são canhotos - tal como eu - e a manifestação mais comum é a obtenção de cores através de sons, que é o oposto do que eu sinto."
in A Filha de Deus, de Lewis Perdue
terça-feira, janeiro 27, 2009
Citação
"A componente mais dispendiosa deste quadro é o azul! Podemos distinguir sempre que quadros medievais foram mais caros pela quantidade de azul que contêm. O azul era feito de lápis-lazúlli, a pedra filosofal de fama alquímica, um pigmento que era importado de forma arriscada da região que é agora o Afeganistão, e era a coisa mais cara que se podia comprar durante a Idade Média. Os artistas não íam propriamente à loja da esquina para comprar tubos de tinta juntamente com os seus cigarro de marijuana e tinta para o cabelo. Pelo menos até meados do século XIX. Cada artista moía os seus próprios pigmentos, molhava um pincel num ovo aberto e, em seguida, no pigmento e começava a trabalhar."
in O Ladrão de Arte, p. 45
in O Ladrão de Arte, p. 45
domingo, agosto 31, 2008
Citação
"Austin examinou o entulho e nadou até uma placa com cerca de dois metros de altura e metade da largura que se erguia numa posição mais ou menos vertical como uma lápide tumular gigante. Elevava-se do topo um par de barras de metal, assemelhando-se às antenas de um insecto.
- Se conseguíssemos derrubar esta placa, talvez provocássemos um deslizamento que desimpedisse esta barafunda.
- A ideia não é má. Só é pena não termos trazido dinamite.
- Talvez não precisemos dela. Lembras-te do que disse Arquimedes?
- Claro. É o dono do restaurante grego ao fundo da rua. Disse "Para comer aqui ou para levar?"
- Falo do outro Arquimedes.
- Ah. Esse disse "Eureca!"
- E também disse: "Dêem-me um ponto de apoio e conseguirei mover o mundo.""
- Se conseguíssemos derrubar esta placa, talvez provocássemos um deslizamento que desimpedisse esta barafunda.
- A ideia não é má. Só é pena não termos trazido dinamite.
- Talvez não precisemos dela. Lembras-te do que disse Arquimedes?
- Claro. É o dono do restaurante grego ao fundo da rua. Disse "Para comer aqui ou para levar?"
- Falo do outro Arquimedes.
- Ah. Esse disse "Eureca!"
- E também disse: "Dêem-me um ponto de apoio e conseguirei mover o mundo.""
in Gelo Ardente
sexta-feira, agosto 22, 2008
Citação
"O dispositivo era de concepção primitiva mas feito de metais contemporâneos, um instrumento letal debaixo de água, onde as armas de fogo de nada serviam. Tinha acoplado um depósito de munições em forma de tala com espaço para seis flechas. As flechas pequenas tinham barbatanas numa extremidade e, na outra, quatro lâminas bem afiadas que teriam cortado o seu fato de alumínio como um abre-latas. O enorme mecanismo de controlo era simplificado de forma que mesmo uma garra mecânica pudesse colocar uma flecha para disparar.
Zavala aproximou-se deslizando. - O que é isso? - perguntou, ofegante do combate.
- Parece uma versão moderna de uma antiga besta.
- Uma besta! Da última vez usámos pistolas de duelo - disse Zavala com um misto de admiração e pesar. - Para a próxima vamor atirar pedras aos maus."
Zavala aproximou-se deslizando. - O que é isso? - perguntou, ofegante do combate.
- Parece uma versão moderna de uma antiga besta.
- Uma besta! Da última vez usámos pistolas de duelo - disse Zavala com um misto de admiração e pesar. - Para a próxima vamor atirar pedras aos maus."
in Serpente - de Clive Cussler e Paul Kemprecos
segunda-feira, agosto 04, 2008
Citação
(Prússia, 1944)
"O professor não se moveu. Estava a observar alguém a bordo do navio acostado ao cais, que atirara uma trouxa para a multidão no embarcadouro. O lance fora curto demais e a trouxa caíra à água. Da multidão saíra então um grito lancinante.
- O que aconteceu? - perguntou ele.
O guarda mal olhou na direcção daquela agitação. - Os refugiados que trazem um bebé dispõem de autorização para embarcar. Por isso, atiram com o bebé para trás, recorrendo a esse estratagema vezes sem conta, como se fosse um livre-trânsito. Às vezes falham e o bebé cai à água."
"O professor não se moveu. Estava a observar alguém a bordo do navio acostado ao cais, que atirara uma trouxa para a multidão no embarcadouro. O lance fora curto demais e a trouxa caíra à água. Da multidão saíra então um grito lancinante.
- O que aconteceu? - perguntou ele.
O guarda mal olhou na direcção daquela agitação. - Os refugiados que trazem um bebé dispõem de autorização para embarcar. Por isso, atiram com o bebé para trás, recorrendo a esse estratagema vezes sem conta, como se fosse um livre-trânsito. Às vezes falham e o bebé cai à água."
in Mutação Polar
segunda-feira, julho 07, 2008
Citação
"- Não sou casada, Sr. Bond. E se alguma vez me decidisse a dar esse passo, duvido que fosse com um homem que trabalhasse em seguros. Agora tenho que lhe dizer uma coisa algo vergonhosa. Na reaidade, o meu nome não é Larissa.
- Que decepcionante. Já tinha feito planos para a Larissa."
- Que decepcionante. Já tinha feito planos para a Larissa."
(in A Essência do Mal)
quarta-feira, junho 25, 2008
Quote
"Mas podeis ver que existem momentos em que todos os homens pecam por acções, por omissões, ou simplesmente porque nos alegramos pelo sofrimento dos nossos inimigos. Talvez nem fôssemos homens se não o fizéssemos"
(p.34, O Sangue dos Inocentes)
(p.34, O Sangue dos Inocentes)
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